HDT alerta para cuidados essenciais contra a leptospirose no período chuvoso

Com a intensificação do período chuvoso, o Hospital Estadual de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT) alerta a população sobre os riscos da leptospirose, uma doença infecciosa que pode evoluir para quadros graves quando não diagnosticada e tratada precocemente.
Em Goiás, os casos confirmados aumentaram: foram registrados 34 casos em 2025 contra 25 casos no ano anterior.
Leptospirose
A diretora técnica do HDT, unidade do Governo de Goiás referência em infectologia no estado, e infectologista Vivian Furtado explica que a leptospirose é transmitida pelo contato direto ou indireto com a urina de animais infectados, principalmente ratos, que contaminam a água acumulada em ruas, calçadas e terrenos após as chuvas.
“A bactéria Leptospira consegue penetrar pela pele, mesmo sem cortes ou ferimentos aparentes. Basta o contato com água de enxurrada contaminada para haver risco de infecção”, explica a médica.
O período de incubação da doença varia, em média, de 7 a 14 dias. Os sintomas iniciais costumam se confundir com os de outras viroses, como febre, dor de cabeça e dores intensas no corpo.
Um sinal característico é a dor acentuada na panturrilha, além da vermelhidão nos olhos. Em alguns casos, o paciente apresenta melhora inicial, mas, na segunda semana, o quadro pode evoluir para formas mais graves.
Nessas situações, a leptospirose pode causar icterícia, sangramentos e comprometimento pulmonar, com falta de ar intensa, podendo exigir internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
“É uma doença potencialmente grave e pode levar à morte, o que reforça a importância da atenção aos primeiros sinais”, alerta Vivian Furtado.
Cuidados e prevenção
A principal forma de prevenção é evitar o contato com água acumulada nas vias públicas durante e após as chuvas. O uso de calçados fechados e impermeáveis é recomendado, especialmente para quem anda a pé ou utiliza transporte coletivo. Crianças devem ser orientadas a não brincar em poças ou enxurradas.
“A água da chuva em si não transmite a doença, mas a água parada misturada à sujeira urbana representa risco”, esclarece a especialista.
Outro ponto fundamental é informar ao profissional de saúde qualquer contato com água de enchente. “Como os sintomas são inespecíficos, essa informação é decisiva para que a leptospirose seja considerada no diagnóstico. O tratamento é eficaz, feito com antibióticos, mas depende da rapidez na suspeita clínica”, destaca.
Além dos cuidados individuais, ações estruturais como saneamento básico e descarte adequado do lixo ajudam a evitar a proliferação de roedores.
Ao apresentar febre associada a dores intensas no corpo após contato com água de enxurrada, a orientação é procurar imediatamente uma unidade de saúde e relatar a exposição. Informação e prevenção seguem sendo as principais aliadas no enfrentamento da leptospirose.



