Paciente moradora celebra aniversário com oficina de leitura e escrita no HDS

O Hospital Estadual de Dermatologia Sanitária Colônia Santa Marta (HDS) realizou, na tarde de terça-feira (13/01), uma celebração singular em homenagem ao aniversário da paciente moradora Messias Pereira dos Santos.
Longe dos formatos tradicionais, a data foi marcada por uma oficina de leitura e escrita, construída a partir daquilo que faz parte do cotidiano e da identidade da aniversariante.
Messias chegou à Colônia Santa Marta aos 14 anos de idade, após ser acometida pela hanseníase. Desde então, são 48 anos vivendo em um hospital, espaço que se tornou casa, cenário de perdas, aprendizados e, sobretudo, de superação.
Cresceu distante dos pais, foi afastada da sociedade ainda muito jovem e precisou reinventar sua forma de existir em meio às limitações impostas pela doença e pelo contexto da época.
Ao falar sobre o que mais sentiu falta ao longo da vida, a resposta vem sem hesitação: O estudo.
“O que mais me fez falta foi ter estudado. Gostaria muito de ter sido médica”, afirma Messias, com a serenidade de quem transformou a ausência em motivação para outros caminhos.
Hoje, ela encontra nos livros, na leitura atenta e na escrita sensível uma maneira de se reconhecer, se expressar e dialogar com o mundo.
Foi a partir dessa relação profunda com as palavras que o HDS, por meio das equipes da Comunicação e da Experiência do Paciente, escolheu comemorar seu aniversário de forma lúdica e afetiva.
Para a ocasião, foi convidada a professora de língua portuguesa, escritora e revisora de livros Neuracy Pereira Silva Borges, que passou toda a tarde com Messias ministrando a oficina. Juntas, leram textos, escreveram memórias, compartilharam impressões e transformaram o encontro em um espaço de escuta e troca.
Delicadeza e força
Segundo Neuracy, a experiência foi marcada pela delicadeza e pela força da trajetória de Messias.
“Não foi apenas uma oficina de escrita. Foi um encontro de histórias. Messias tem uma sensibilidade rara e uma relação muito verdadeira com as palavras. Cada texto que ela constrói carrega vida, memória e resistência”, destaca a escritora.
Durante a atividade, cada exercício respeitou o ritmo, as vivências e a relação afetiva que Messias construiu com a escrita ao longo dos anos. Entre lembranças pessoais e referências da cultura popular, as palavras surgiram como ponte entre passado e presente, revelando uma mulher que nunca deixou de sonhar, mesmo diante das adversidades.
Para Messias, a tarde teve um significado especial.
“Escrever me faz bem. Parece que eu viajo, que esqueço um pouco de tudo e fico só com o que sinto”, contou, emocionada, ao final da oficina.
A ação evidenciou como iniciativas culturais podem transformar o ambiente hospitalar em um espaço de vida, onde histórias são valorizadas e subjetividades ganham voz. O dia foi vivenciado com textos escritos à mão e conversas demoradas. Para Messias, foi uma celebração carregada de significado que deu outro sentido ao dia.



