Relatório fiscal de 2025 aponta equilíbrio das contas

O avanço dos investimentos públicos em 2025 é um dos principais reflexos da estratégia fiscal adotada pelo Estado nos últimos anos, é o que aponta o relatório fiscal de de 2025, da Secretaria da Economia. Goiás ampliou de forma significativa os investimentos na comparação com 2024, com os valores saltando de R$ 3,79 bilhões para R$ 7,21 bilhões, crescimento de 90,35% em apenas um ano.
Na prática, o Estado praticamente dobrou a aplicação de recursos em obras e projetos estruturantes. O resultado está inserido em uma trajetória de equilíbrio fiscal construída ao longo do tempo, que permitiu ampliar a capacidade de investimento de forma planejada e sustentável.
Sem considerar as operações intraorçamentárias, as receitas totais somaram R$ 47,76 bilhões em 2025, frente a R$ 44,60 bilhões no mesmo período de 2024, avanço de 7,21%.
Ao incluir as movimentações internas entre órgãos e fundos estaduais, a receita total registrada alcança R$ 49,65 bilhões.
A receita primária, que exclui receitas financeiras como rendimentos de aplicações e operações de crédito, atingiu R$ 43,81 bilhões, crescimento de 6,26% em relação a 2024.
As receitas tributárias tiveram aumento de R$ 1,44 bilhão. O ICMS acumulou R$ 18,26 bilhões, alta de 3,75%, e o IPVA somou R$ 1,42 bilhão, crescimento de 7,10%. Entre as transferências, o FPE chegou a R$ 4,41 bilhões e o Fundeb a R$ 4,17 bilhões.
Do lado das despesas, foram empenhados R$ 52,99 bilhões no período, sem considerar as intraorçamentárias, ante R$ 42,01 bilhões no ano anterior. Com a inclusão dessas movimentações, o total empenhado chegou a R$ 54,95 bilhões.
O crescimento das despesas reflete não apenas a expansão natural de custeio, mas sobretudo decisões de política fiscal que tiveram caráter extraordinário.
As Outras Despesas Correntes aumentaram R$ 4,25 bilhões, influenciadas por medidas extraordinárias como a recomposição do Fundo de Reserva de Depósitos Judiciais, com aporte de R$ 740 milhões, e o reforço no pagamento de precatórios, com valores adicionais acima do mínimo constitucional.
Também houve ampliação de serviços essenciais, especialmente na área da saúde.
As despesas de capital também tiveram expansão, com destaque para investimentos e inversões financeiras, evidenciando a decisão do Estado de converter reservas financeiras acumuladas em obras, equipamentos públicos e modernização da infraestrutura.
Por grupo de despesa, verifica-se:
- Pessoal e Encargos passou de R$ 23,17 bilhões para R$ 25,89 bilhões (+11,73%);
- Juros e Encargos da Dívida, de R$ 0,80 bilhão para R$ 0,91 bilhão (+13,11%);
- Outras Despesas Correntes, de R$ 13,69 bilhões para R$ 17,95 bilhões (+31,04%);
- Investimentos, de R$ 3,79 bilhão para R$ 7,21 bilhões (+90,35%);
Resultado fiscal e metodologia
O exercício encerrou com déficit primário de R$ 4,45 bilhões e déficit orçamentário de R$ 5,30 bilhões. As receitas primárias realizadas somaram R$ 43,81 bilhões, enquanto as despesas primárias pagas chegaram a R$ 48,26 bilhões.
No resultado orçamentário, calculado pela diferença entre receitas totais e despesas empenhadas, a receita foi de R$ 49,65 bilhões frente a uma despesa de R$ 54,95 bilhões.
Esses resultados precisam ser analisados à luz da dinâmica fiscal do período. Quando o Estado utiliza a poupança acumulada para quitar passivos ou reforçar políticas públicas, a despesa entra no cálculo do ano, mas a receita correspondente foi registrada em exercícios anteriores.
O efeito é um resultado negativo de fluxo, que não representa desequilíbrio estrutural, mas a mobilização de reservas financeiras previamente constituídas.
Em 2025, essa estratégia permitiu reduzir passivos, antecipar pagamentos e ampliar a capacidade de investimento e de prestação de serviços, ao mesmo tempo em que manteve os principais indicadores fiscais dentro dos limites legais.
No indicador de despesas correntes sobre receitas correntes, Goiás registrou 94,32% em 2025, patamar influenciado por despesas extraordinárias como a recomposição do Fundo de Reserva de Depósitos Judiciais e o reforço no pagamento de precatórios.
Saúde, educação e responsabilidade fiscal
Um dos pilares do encerramento fiscal de 2025 foi o cumprimento e a superação dos limites constitucionais em áreas prioritárias.
Mesmo com o forte avanço dos investimentos, o Estado destinou R$ 9,01 bilhões à Educação, acima do mínimo exigido para Manutenção e Desenvolvimento do Ensino, e também aplicou na Saúde valores superiores ao piso constitucional.
O resultado mostra que a mobilização da poupança foi equilibrada, permitindo ampliar investimentos em infraestrutura sem comprometer a oferta e a qualidade dos serviços essenciais à população.
Os indicadores da Lei de Responsabilidade Fiscal também permaneceram em patamar confortável.
O gasto com pessoal encerrou o ano abaixo dos limites de alerta e máximo, e a relação entre dívida e receita corrente líquida apresentou trajetória controlada, demonstrando que a ampliação de despesas ocorreu sem comprometimento da sustentabilidade fiscal.

Resultado
O RREO do 6º bimestre mostra que 2025 foi o ano em que Goiás utilizou a solidez construída no período de ajuste para ampliar entregas à população.
Os resultados fiscais refletem a escolha de transformar poupança financeira em investimentos e expansão de serviços públicos, preservando o equilíbrio estrutural das contas.
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