Fevereiro Roxo destaca cuidado integral e transforma vidas no HDS

O segundo mês do ano é marcado nacionalmente pela campanha Fevereiro Roxo, voltada à conscientização sobre doenças crônicas como lúpus, Alzheimer e fibromialgia.
Condições que, embora não sejam visíveis aos olhos, impactam profundamente a vida de quem convive com elas e exigem atenção contínua do sistema de saúde, especialmente no que se refere ao diagnóstico precoce e ao cuidado permanente.
A fibromialgia é uma síndrome crônica que atinge cerca de 3% da população brasileira, o que equivale a 6,4 milhões de pessoas que convivem diariamente com dor persistente, segundo estimativas do Ministério da Saúde.
A doença afeta majoritariamente mulheres, que correspondem a aproximadamente 70% a 90% dos casos diagnosticados, especialmente na faixa etária entre 30 e 50 anos. Estudos epidemiológicos realizados no Brasil e no exterior indicam que essa predominância feminina está relacionada a fatores biológicos, hormonais e psicossociais.
Alterações hormonais ao longo da vida, sensibilidade dolorosa aumentada e exposição prolongada ao estresse contribuem para o desenvolvimento e a intensificação dos sintomas, que incluem:
- dor difusa;
- fadiga intensa;
- distúrbios do sono;
- dificuldades cognitivas.
Na prática clínica, essas diferenças são observadas com frequência nos serviços de saúde.
De acordo com o supervisor do serviço multiprofissional da unidade do Governo de Goiás, José Audete Júnior, que acompanha pacientes com dor crônica, a resposta do organismo feminino à dor é influenciada por fatores hormonais e pela sobrecarga física e emocional acumulada ao longo da vida.
Sofrimento
“A mulher tende a apresentar uma maior sensibilização do sistema nervoso, o que potencializa a dor e favorece o aparecimento da fibromialgia. Somado a isso, muitas pacientes passam anos em busca de um diagnóstico, já que a doença não possui exames específicos, o que prolonga o sofrimento e compromete a qualidade de vida”, explica o supervisor.
No HDS, o cuidado com essas pacientes vai além do acompanhamento médico. A unidade desenvolve um modelo de atenção que integra tratamento clínico, apoio psicológico e fortalecimento emocional, com destaque para o grupo terapêutico Mulheres de Fibra, iniciativa voltada exclusivamente às mulheres com fibromialgia.
O grupo se reúne semanalmente, às quintas e sextas-feiras, e funciona como um espaço de escuta, troca de experiências e construção coletiva de estratégias para lidar com a dor crônica.
A proposta é oferecer acolhimento e promover qualidade de vida, reconhecendo que o impacto da fibromialgia ultrapassa os limites físicos e alcança a saúde emocional.
Para a paciente Márcia Filomena, participante do grupo, o acompanhamento foi decisivo para enfrentar a doença.
“O grupo foi um divisor de águas na minha vida. Aqui eu aprendi que não estou sozinha e que é possível conviver com a fibromialgia de forma mais leve, com apoio, informação e acolhimento”, relata.
Atendimento multiprofissional
Além do apoio psicológico, o HDS disponibiliza atendimento multiprofissional, com acompanhamento médico e orientação contínua, consolidando-se como uma das poucas unidades públicas a oferecer um cuidado estruturado e direcionado às mulheres com fibromialgia.
Em um cenário em que o tratamento ainda é fragmentado em muitos serviços de saúde, a experiência do hospital se destaca pelo olhar humanizado e pela continuidade do cuidado.
Fevereiro Roxo
A campanha Fevereiro Roxo reforça a importância de iniciativas como essa, que contribuem para ampliar a informação, reduzir o estigma e estimular a busca por diagnóstico precoce. No HDS, a conscientização se traduz em prática cotidiana, com ações que impactam diretamente a vida de mulheres que convivem diariamente com uma doença invisível, mas profundamente transformadora.



